Entre glaciares, vulcões e estradas pela natureza
A Islândia foi um daqueles países onde senti que a própria estrada fazia parte da viagem. Numa volta pela Ring Road, a paisagem muda constantemente entre campos de lava, glaciares, cascatas, praias de areia negra, zonas geotérmicas e pequenas localidades separadas por quilómetros de território praticamente desabitado.
Apesar dessa sensação de isolamento, é um país relativamente simples de explorar. As estradas principais têm boas condições, os pagamentos são fáceis, o inglês é amplamente falado e existe bastante informação atualizada sobre meteorologia e condições de circulação.
O Círculo Dourado permite conhecer alguns dos locais mais visitados numa viagem curta a partir de Reykjavík, mas foi ao percorrer a Ring Road que percebi melhor a dimensão e diversidade do país. Na Islândia, convém sobretudo não fazer um roteiro demasiado apertado: o tempo muda depressa e há muitas paragens que acabam por demorar mais do que estava previsto.
Factos importantes sobre a Islândia
- Área: cerca de 103 000 km²
- População: cerca de 394 000 habitantes
- Densidade populacional: cerca de 3,8 habitantes por km²
- Capital: Reykjavík
- Moeda: coroa islandesa (ISK)
- Língua oficial: islandês; o inglês é amplamente falado
- Religião: a Igreja Nacional da Islândia, de tradição luterana, continua a ser a principal comunidade religiosa, embora a sociedade seja bastante secular
- Fuso horário: UTC durante todo o ano, sem mudança para a hora de verão
- Islândia faz parte do Espaço Económico Europeu e do Espaço Schengen
Recursos úteis
Há alguns sites que considero praticamente obrigatórios durante uma road trip pela Islândia:
- Portal das Comunidades Portuguesas – recomendações oficiais para viajantes portugueses, documentação, segurança e contactos consulares
- Visit Iceland – portal oficial de turismo, com informação sobre regiões, locais a visitar, atividades e planeamento da viagem
- SafeTravel – alertas de segurança, condições de viagem e informação sobre tempestades, estradas, caminhadas e zonas potencialmente perigosas
- Road.is / Umferdin.is – estado das estradas, encerramentos, condições de circulação e informação sobre F-roads
- Vedur.is – serviço meteorológico oficial, essencial para consultar previsão, vento, avisos e atividade vulcânica
- Strætó – horários e percursos dos transportes públicos
- Iceland.is – portal oficial do Estado, onde também se encontra informação sobre entrada no país e regras para drones
- Environment Agency of Iceland – informação sobre áreas protegidas, campismo e autorizações para utilização de drones
O SafeTravel, o Vedur e o estado das estradas são três serviços que consultaria diariamente durante qualquer road trip. Na Islândia, as condições podem mudar bastante no espaço de poucas horas.
Feriados Nacionais na Islândia
Em 2026, os principais feriados são:
- Ano Novo: 1 de janeiro
- Quinta-feira Santa: 2 de abril
- Sexta-feira Santa: 3 de abril
- Páscoa: 5 de abril
- Segunda-feira de Páscoa: 6 de abril
- Primeiro Dia de Verão: 23 de abril
- Dia do Trabalhador: 1 de maio
- Ascensão: 14 de maio
- Pentecostes: 24 de maio
- Segunda-feira de Pentecostes: 25 de maio
- Dia Nacional da Islândia: 17 de junho
- Feriado Comercial: 3 de agosto
- Natal: 25 de dezembro
- Segundo Dia de Natal: 26 de dezembro
Na véspera de Natal e na véspera de Ano Novo muitos estabelecimentos encerram mais cedo ou funcionam com horários reduzidos.

Dicas Rápidas
Documentos e entrada na Islândia
Os cidadãos portugueses não precisam de visto para viajar para a Islândia.
Para uma viagem turística é suficiente apresentar um Cartão de Cidadão ou passaporte válido. Como a Islândia faz parte do Espaço Schengen, a entrada é simples para cidadãos portugueses e dos restantes países do Espaço Económico Europeu.
O Cartão Europeu de Seguro de Doença é válido na Islândia. Ainda assim, continuo a recomendar um seguro de viagem, sobretudo numa viagem que envolva aluguer de carro, caminhadas ou outras atividades na natureza.
Moeda e pagamentos
A moeda oficial é a coroa islandesa (ISK).
Apesar de o país receber muitos visitantes europeus, não contaria com a possibilidade de pagar em euros. A grande vantagem é que praticamente tudo pode ser pago com cartão, mesmo compras de valor reduzido.
Na maioria das viagens nem sequer é necessário levantar dinheiro. Revolut, Wise ou um cartão bancário sem comissões elevadas no estrangeiro são suficientes para grande parte das despesas.
Nas bombas de combustível automáticas pode ser necessário utilizar cartão com PIN, pelo que é boa ideia ter mais do que um cartão disponível.
Qual a melhor época para viajar para a Islândia?
Não existe propriamente uma única época ideal porque a experiência muda bastante ao longo do ano.
Entre junho e agosto tens os dias mais longos, temperaturas mais amenas e maior facilidade de acesso às diferentes regiões. É a melhor altura para uma primeira road trip pela Ring Road e para quem pretende explorar algumas zonas das Highlands.
Em setembro e outubro há menos horas de luz, mas começa a ser possível observar auroras boreais, no entanto, a meteorologia é mais instável.
Entre novembro e março, os dias são bastante mais curtos, há neve e gelo e as condições de condução tornam-se mais exigentes. Algumas estradas podem fechar temporariamente.
As auroras boreais podem ser observadas, de forma geral, entre o final do verão e o início da primavera, sempre que existe escuridão suficiente, céu limpo e atividade solar. Mas não as tenham como algo garantido numa viagem numa viagem dentre desse período.
Conduzir na Islândia
Fora de Reykjavík, alugar carro é uma das formas mais práticas de conhecer o país, mas bastante cara.
A Ring Road, ou estrada nº 1, tem cerca de 1322 km e encontra-se pavimentada. Durante o verão, um carro normal 2WD é suficiente para grande parte dos roteiros clássicos.
No inverno, um 4×4 pode proporcionar maior segurança e capacidade em condições difíceis, mas não torna uma estrada segura quando existem avisos meteorológicos ou encerramentos.
Nas F-roads a situação é diferente. Estas estradas dão acesso às Highlands e exigem veículos 4×4 adequados. Algumas incluem piso bastante irregular e travessias de rios, e nem todos os 4×4 são apropriados para todas as estradas.
Se existir uma travessia de rio e não tiveres a certeza das condições, não arrisques. Dá meia-volta.
Antes de entrar numa F-road confirma também se o contrato da rent-a-car permite circular nessa estrada específica porque muitos não permitem e se tens um azar com o veículo, depois terás outro com a rent-a-car. Mesmo no verão recomendo alugar um 4×4 com permissão para circular nas F-Roads.
Seguro do carro
Vale a pena olhar com atenção para as coberturas do carro alugado.
Além da cobertura habitual contra colisões, existem seguros específicos para danos provocados por gravilha e por areia ou cinzas vulcânicas.
O vento é outro problema muito islandês. Uma rajada forte pode causar danos numa porta quando a abres, por isso segura-a sempre ao entrar ou sair do carro, especialmente em zonas expostas.
Combustível
Existem estações de serviço nas localidades ao longo da Ring Road, mas as distâncias entre elas aumentam bastante em algumas regiões.
Não esperaria pela reserva para abastecer, sobretudo nos fiordes, no norte, nos Westfjords ou quando sais das rotas principais. Eu fiquei sem gasolina no veículo que conduzia, mas felizmente estava a 200 metros de uma estação.
Muitas bombas são automáticas e funcionam 24 horas por dia através de cartão.
Segurança e condições meteorológicas
A Islândia é um país muito seguro em termos de criminalidade. Os principais riscos para quem viaja vêm da natureza.
Vento forte, gelo, neve, rios, falésias, glaciares e ondas podem transformar rapidamente um local aparentemente tranquilo numa situação perigosa.
Em praias como Reynisfjara, respeita sempre as zonas de segurança e nunca vires as costas ao mar. As chamadas sneaker waves podem chegar bastante mais longe do que as ondas anteriores.
Também não ultrapasses barreiras em zonas geotérmicas ou glaciares. Caminhar sobre um glaciar sem equipamento e experiência adequados não é uma boa ideia.
Em caso de emergência, o número nacional é o 112.
Atividade vulcânica em Reykjanes
A Península de Reykjanes entrou num novo período de atividade vulcânica nos últimos anos e a situação pode mudar rapidamente.
Se estiveres a planear visitar Grindavík, a Blue Lagoon ou outras zonas próximas de Svartsengi, confirma sempre os avisos do SafeTravel e do Icelandic Meteorological Office antes de partir.
Um local estar acessível quando preparas o roteiro não significa necessariamente que continuará acessível no dia da visita.
Campismo e campervans
Se viajares de autocaravana, não assumas que podes estacionar e passar a noite em qualquer lugar.
Regra geral, é proibido pernoitar com caravanas ou veículos semelhantes fora de parques de campismo ou áreas autorizadas, exceto quando existe autorização do proprietário do terreno.
Existem regras diferentes para quem viaja apenas com uma pequena tenda, mas também aqui há restrições adicionais em áreas protegidas.
Eu usei sempre os parques de campismo oficiais. A rede é extensa e além de evitar problemas, facilitam o acesso a duches, casas de banho, eletricidade e outras infraestruturas.
Alojamento
Entre junho e agosto, o alojamento fora de Reykjavík pode esgotar bastante cedo.
Isto é especialmente importante numa volta à Ring Road, onde algumas localidades têm uma oferta bastante reduzida. Reservaria com antecedência pelo menos os pontos mais difíceis do percurso.
No inverno, ter alguma flexibilidade no roteiro pode ser mais importante do que reservar cada noite num itinerário demasiado rígido, porque o tempo pode obrigar a alterar planos.
Quanto custa viajar pela Islândia?
A Islândia continua a ser um destino caro, sobretudo no alojamento, restauração e aluguer de carro.
Para reduzir os custos, supermercados como Bónus, Krónan ou Nettó são uma boa ajuda. Se o alojamento tiver cozinha, preparar algumas refeições pode fazer uma diferença considerável no orçamento.
Muitos locais naturais continuam sem ter propriamente um bilhete de entrada, mas é cada vez mais comum encontrar estacionamentos ou taxas de serviço pagas em locais turísticos.
As piscinas municipais também são uma alternativa bastante mais económica às lagoas geotérmicas orientadas para visitantes estrangeiros.
Blue Lagoon e banhos geotérmicos
Se quiseres visitar a Blue Lagoon, Sky Lagoon ou outras lagoas conhecidas, reservar com antecedência continua a ser aconselhável durante os períodos mais procurados.
No caso da Blue Lagoon, confirma também a situação da Península de Reykjanes perto da data da visita.
Outra experiência que vale a pena são as piscinas municipais. Existem um pouco por todo o país e fazem muito mais parte do quotidiano islandês.
Nos balneários é obrigatório tomar banho antes de entrar nas piscinas e lagoas. Normalmente o banho é feito sem fato de banho antes de entrar na água, embora alguns locais turísticos disponham de zonas privadas.
Internet e roaming
A cobertura móvel é bastante boa nas cidades e ao longo de grande parte da Ring Road, embora possa haver falhas em regiões remotas e nas Highlands.
Como a Islândia faz parte do Espaço Económico Europeu, os cartões portugueses estão abrangidos pelo regime europeu de roaming, sujeito às condições de utilização do operador.
Na maioria dos casos, não há necessidade de comprar um SIM islandês ou um eSIM apenas para esta viagem.
Para zonas remotas, descarrega sempre os mapas offline.
Água potável
A água fria da torneira é segura para beber e tem excelente qualidade. Levar uma garrafa reutilizável é uma das coisas mais simples que podes fazer para evitar comprar água engarrafada.
A água quente pode ter algum cheiro a enxofre devido à origem geotérmica. É perfeitamente normal.
Gastronomia
Peixe, cordeiro e skyr estão entre os produtos mais presentes na gastronomia islandesa.
Também vais encontrar as famosas pylsur, os cachorros-quentes islandeses, enquanto pratos como o hákarl, tubarão fermentado, estão atualmente muito mais associados à tradição e à curiosidade dos visitantes do que às refeições do dia a dia.
Comer regularmente em restaurantes pode pesar bastante no orçamento, razão pela qual numa road trip faz sentido combinar restaurantes com algumas refeições preparadas no alojamento.
Gorjetas
Dar gorjeta não faz tradicionalmente parte da cultura islandesa e não é esperado em restaurantes, cafés ou táxis.
Se o serviço tiver sido particularmente bom, nada impede que deixes alguma coisa, mas não é uma obrigação.
Drones e fotografia
A Islândia é um país onde é particularmente tentador levar um drone, mas atualmente não aconselho ninguém a fazê-lo sem preparar primeiro os locais onde pretende voar.
Desde dezembro de 2024, a Islândia aplica o enquadramento europeu para operações com drones. Entre as regras gerais estão o limite máximo de 120 metros, manter o drone em linha de vista e não sobrevoar concentrações de pessoas.
Um drone com menos de 250 g não significa, no entanto, liberdade para voar em qualquer lado. Se tiver câmara, continuam a existir requisitos de registo do operador e, sobretudo, continuam a aplicar-se todas as restrições geográficas e ambientais.
Para operadores europeus, o registo é feito junto da autoridade competente do país de residência e é reconhecido nos restantes Estados que aplicam as regras EASA.
É nas áreas protegidas que a utilização do drone se torna bastante mais condicionada. Locais como Gullfoss, Geysir, Skógafoss, Goðafoss, Dyrhólaey, Mývatn, Landmannalaugar e várias outras áreas naturais têm regras próprias, que podem incluir proibições sazonais ou necessidade de autorização prévia.
Os parques nacionais também têm os seus próprios regulamentos. No Vatnajökull, por exemplo, existem restrições específicas em zonas como Jökulsárlón, Skaftafell e Dettifoss. Þingvellir tem igualmente regras próprias para utilização recreativa de drones.
Algumas autorizações para áreas protegidas devem ser pedidas com pelo menos 15 dias de antecedência, podendo o prazo ser superior em determinadas regiões.
Antes da viagem, eu faria uma lista de todos os locais onde pretendes utilizar o drone e confirmaria individualmente:
- Iceland Drone Map, para as restrições gerais do espaço aéreo
- Environment Agency of Iceland, para áreas naturais protegidas
- Regulamento do parque nacional, quando aplicável
- Regras ou sinalização existente no próprio local
Na prática, não levaria um drone para a Islândia partindo do princípio de que “vejo no local se posso voar”. Há muitos sítios onde não vais poder utilizá-lo e outros onde precisas de tratar da autorização antes da viagem.

O Que Não Esquecer
- Roupa por camadas
- Camada térmica
- Casaco corta-vento e impermeável
- Calças impermeáveis para dias de chuva
- Gorro
- Luvas
- Gola ou cachecol, mesmo no verão
- Botas de caminhada impermeáveis
- Fato de banho
- Toalha de secagem rápida
- Óculos de sol
- Protetor solar
- Garrafa reutilizável
- Power bank e carregador para o carro
- Lanterna frontal no inverno
- Máscara para dormir no verão, quando as noites são muito claras
- Medicamentos habituais
- Saco ou proteção impermeável para equipamento eletrónico
- Máquina fotográfica e cartões de memória
- Tripé, especialmente se pretendes fotografar auroras boreais
- Drone apenas depois de confirmares as regras e autorizações dos locais onde pretendes utilizá-lo
Não precisas normalmente de adaptador de tomada: a Islândia utiliza tomadas dos tipos C e F, compatíveis com as utilizadas em Portugal.
Lista de Verificação antes da Viagem
- Cartão de Cidadão ou passaporte válido
- Cartão Europeu de Seguro de Doença
- Seguro de viagem
- Reserva do carro
- Confirmar coberturas do seguro automóvel
- Reservar alojamento antecipadamente no verão
- Reservar lagoas e atividades mais procuradas
- Confirmar se o veículo permite circular nas F-roads planeadas
- SafeTravel instalado ou guardado nos favoritos
- Vedur.is e Road.is/Umferdin.is guardados
- Mapas offline descarregados
- Confirmar condições meteorológicas e das estradas diariamente
- Planear os abastecimentos nas regiões mais remotas
- Confirmar eventuais estacionamentos e taxas
- Verificar alertas de atividade vulcânica em Reykjanes
- Consultar regras específicas se viajares de autocaravana
- Drone Map e autorizações verificadas antes de levar o drone
- Roteiro com alguma margem para alterações provocadas pelo tempo
A Islândia é um destino onde ter um bom planeamento ajuda, mas onde também é importante aceitar que nem tudo vai correr exatamente como estava previsto. O vento, a chuva, a neve ou simplesmente uma estrada temporariamente encerrada podem obrigar a mudar os planos de um momento para o outro.
Numa road trip, eu deixaria sempre alguma margem entre etapas. As distâncias no mapa nem sempre contam toda a história e é muito fácil transformar uma viagem de duas horas numa manhã inteira quando começam a aparecer cascatas, praias, glaciares e pequenos desvios pelo caminho.
É precisamente essa liberdade para parar e adaptar o percurso que, para mim, melhor combina com uma viagem pela Islândia.