Miradouro da Serpente do Medal: Lagos do Sabor
O Miradouro da Serpente do Medal é um ponto alto (literalmente) onde o rio Sabor desenha curvas que lembram uma serpente. Fica no concelho de Mogadouro, em pleno Nordeste Transmontano, e oferece vistas panorâmicas sobre os Lagos do Sabor – um conjunto de albufeiras criadas pela Barragem do Baixo Sabor, hoje distribuídas por três grandes planos de água: Lago de Cilhades, Lago do Medal e Lago dos Santuários.
É uma zona calma, com serras e vales fundos, e ainda com aquele lado “fora do radar” que faz diferença quando queres caminhar e estar em silêncio.

Como chegar: a partir de Estevais
A forma mais comum de chegar ao Miradouro da Serpente do Medal é pela aldeia de Estevais – e foi exatamente assim que eu fui.
Quando lá passei, o miradouro ainda nem aparecia marcado no Google Maps, e por isso fui um bocado “às cegas”, a olhar para o mapa por satélite e a confiar na orientação… que felizmente costuma acertar mais do que falhar. E, sinceramente, isso também soube bem: ir à procura de um local que ainda não está no mapa de toda a gente. Quando foi a última vez que fizeste uma coisa assim?
A caminhada (e o que podes esperar)
O trilho tem menos de 5 km (só ida) e, no geral, não o considero difícil – mas também não é uma voltinha no parque. Tens algumas subidas e descidas, e o piso em certos pontos pode ser irregular (principalmente depois de chuva), por isso convém ires com tempo e com calçado adequado.
Eu deixei a mota no largo de Estevais e comecei a partir daí. Os primeiros metros puxam um bocado pela perna (aquela subida inicial tira logo o entusiasmo a quem vai a pensar que vai ser “só ali”), mas não te deixes enganar: o caminho compensa, e não é só pela vista final. Às vezes a melhor parte está mesmo no percurso.
Se chegares a Estevais em veículo próprio, podes deixar estacionado mais acima e evitar assim essa primeira subida mais íngreme.
Pelo caminho passei por zonas abertas, campos (muitas vezes com amendoeiras), colmeias e alguns troços com vegetação mais fechada, mas há momentos em que já começas a ganhar noção do vale e da escala da coisa.

E dá para ir de carro até ao miradouro?
Até ao miradouro em si, não (ainda – e já explico o porquê deste “ainda”). Mas há quem diga que dá para aproximar bastante de carro por caminhos de terra – e até acredito. Ainda assim, para mim este é daqueles locais em que faz sentido chegar a pé. Nem que seja para não ser “chegar, foto, ir embora”. Aqui, a caminhada é parte da experiência.
Quando visitei este local nem cheguei a descer até ao ponto que hoje aparece como “Miradouro da Serpente do Medal” (lá está, nem estava identificado), mas fiquei numa zona rochosa com vista aberta e o cenário era o mesmo: aquela água toda a recortar as serras em curvas, como se o rio estivesse a desenhar um ziguezague lento no vale.
Dica rápida: leva o trilho/track no telemóvel. Não é por ser perigoso – é só porque nem sempre a marcação é óbvia e assim vais mais descansado.


Cuidados a ter na zona de natureza
O Miradouro da Serpente do Medal é uma zona de grande valor natural, por isso é essencial respeitar o meio ambiente.
O afloramento rochoso é bastante íngreme e não tem proteções, o que exige atenção redobrada, especialmente se viajas com crianças.
Evita sair dos caminhos sinalizados, não deixes resíduos e respeita a fauna e flora locais. Como é uma zona de natureza selvagem, é fundamental não fazer fogueiras, nem colher plantas ou pedras, para preservar o equilíbrio ecológico.
E aqui adiciono a informação que encontrei sobre o “ainda” que escrevi mais acima – sobre a questão de chegar de carro até ao miradouro. De momento não é possível, mas num futuro nunca se sabe. Confesso que este tipo de notícia deixa-me sempre um bocado triste perceber que um local tão natural se vai transformar num local de intervenção humana sem razão aparente.
À data deste artigo, há notícias de que o local poderá receber uma estrutura/miradouro mais “formal” para melhorar a segurança e a experiência de visita. Ao que parece, o custo rondará os 100 mil euros, com financiamento da câmara, no âmbito da adjudicação do projeto de execução.
O que levar, principalmente em dias de maior calor
Para uma visita segura e confortável, especialmente em dias quentes, recomendo:
- Calçado confortável e com boa sola, ideal para trilhos com terreno irregular.
- Água suficiente, pelo menos 1,5 litros por pessoa.
- Chapéu ou boné, protetor solar e roupa leve e respirável.
- Lanche energético, como frutas secas ou barras de cereais.
- Câmara e/ou drone (com regras em dia – já lá vamos).
Drone: atenção às zonas e autorizações
Aqui vale a pena ser muito direto: em Portugal, não deves operar em Áreas sob Jurisdição Militar sem autorização da AAN (Autoridade Aeronáutica Nacional). Isso aparece assinalado no mapa de zonas geográficas (polígonos de restrição).
Antes de ires, confirma sempre no mapa oficial/app (ex.: Voa na Boa) onde estás e que restrições se aplicam – não esquecendo também o Código Drone.

A melhor altura para visitar
Para caminhada, a janela mais confortável costuma ser entre março e junho e entre o fim de setembro e início de novembro (menos calor e luz boa). Em março, ainda podes apanhar amendoeiras em flor, que mudam completamente o cenário.
Se fores mais pela fotografia, nascer e pôr do sol continuam a ser as melhores apostas (menos contraste duro e sombras mais longas).
Se quiseres aproveitar o dia, também dá para:
- combinar a visita com passeios pelas aldeias vizinhas, como Estevais, Meirinhos ou Mogadouro;
- e, se viajas de mota, o percurso até Estevais é altamente recomendado, com estradas bonitas e pouca circulação.
Outros miradouros nas proximidades
A região dos Lagos do Sabor é repleta de miradouros com vistas espetaculares. Além do Miradouro da Serpente do Medal, visitei também:
Miradouro de São Gregório
O Miradouro de São Gregório foi daqueles stops que encaixam bem quando andas a cruzar esta zona entre o Vale da Vilariça e a estrada que segue para Estevais. Não é preciso grande logística: está mesmo junto à estrada.
O que me ficou na cabeça aqui foi a sensação de vista panorâmica: tens vista para uma grande extensão do Vale da Vilariça e para a Fragada da Lousa. É um miradouro bom para parar sem pressas, respirar um bocado e perceber a escala de Trás-os-Montes.
Miradouro do Vale do Sabor
O Miradouro do Vale do Sabor fica praticamente “ao lado” do São Gregório, mas em vez de ser logo à beira da estrada, tens de fazer cerca de alguns metros por terra batida para lá chegar. O interessante aqui é a perspetiva sobre o vale do Sabor, com aquela linha de água a recortar as encostas, e com a Foz do Sabor a marcar o horizonte em dias mais limpos.
Este miradouro tem uma plataforma metálica e uma zona com algum apoio (área de merendas), por isso é um bom sítio para parar um bocado mais, comer qualquer coisa e voltar à estrada com outra calma.
Miradouro da Fraga do Cão
O Miradouro da Fraga do Cão já fica mais para o lado de Torre de Moncorvo, na Serra do Reboredo, e tem um “extra” que o distingue logo: a formação rochosa que lembra um cão, que é basicamente o motivo do nome (e sim, ao vivo percebe-se bem a ideia).
A vista aqui muda completamente de registo: em vez de ser mais “vale do Sabor”, estás virado para sul. Podes ler mais sobre este local no meu artigo Miradouro da Fraga do Cão.

O Miradouro da Serpente do Medal foi daqueles locais em que a recompensa não foi só na vista final – foi também pelo caminho, no silêncio e naquela sensação de estares num lugar que ainda não tinha sido “mastigado” por toda a gente.
A paisagem que se revela do topo do afloramento rochoso é impressionante, e a região dos Lagos do Sabor oferece inúmeras opções para prolongar a tua estadia e explorar outros pontos de interesse.
Vai preparado, respeita a natureza e não tenhas pressa: esta zona ganha muito quando a visitas com tempo.
Localização e Mapa do Miradouro da Serpente do Medal
Coordenadas Google Maps: 41.230229, -6.844170 | Miradouro da Serpente do Medal no Google Maps
Coordenadas GPS: 41°13’48.8″N 6°50’39.0″W