Jökulsárlón, o lago glaciar da Islândia

por Nuno Madeira
Jökulsárlón, o lago glacial da Islândia | Diário do Viajante

Jökulsárlón é o lago glaciar mais famoso da Islândia e uma das atrações mais populares e únicas que poderão encontrar.

Com uma área de 18 km² e junto a uma praia de areia escura no sudoeste da Islândia, o seu nome Jökulsárlón traduz-se literalmente para “Lago do Rio Glaciar” (Jökull – glaciar, lón – lago).

Situado a poucos quilómetros do Parque Nacional de Vatnajökull, esta é uma formação bastante recente e em 2009 foi confirmado que se tratava já do lago mais profundo do país, com cerca de 248 metros de profundidade, e que está a aumentar a sua área para se tornar também um dos maiores.

O lago tem vindo a aumentar a passos largos desde 1970 quando tinha apenas ¼ do seu tamanho atual, e encontra-se agora a cerca de 1,5 km da costa que dá para o Oceano Atlântico.

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Quando os primeiros colonos chegaram à Islândia, por volta de 870 d.C., acredita-se que o glaciar Breiðamerkurjökull estivesse 20 km mais a norte do que nos dias de hoje. Com o arrefecimento do clima a acontecer por volta do ano 1200, o período do frio atingiu o seu pico no período de 1600-1900, conhecido também por vezes como a “Pequena Idade do Gelo”, resultando no crescimento do glaciar até cerca de 1 km da costa do rio Jökulsá.

Este enorme lago é preenchido com pedaços de gelo (icebergs) que se desprendem do glaciar Breiðamerkurjökull, uma língua de gelo da maior calota polar da Europa, Vatnajökull.

Alguns destes icebergs que se vão desprendendo e rumando ao Oceano, chegam a elevar-se a vários andares de altura e para além deste seu tamanho, a sua coloração azul elétrico e as faixas negras de cinzas de erupções com vários séculos são outras características notáveis destas peças moldadas pela natureza.

Toda esta área foi apelidada de “Praia do Diamante” devido ao brilho intenso do gelo compacto e translúcido, com milhares de anos de idade, que brilha ao sol contrastando com a areia negra da praia que envolve o lago.

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Por vezes sobrelotado de icebergs, cada um com o seu tamanho e forma, e por vezes vazio, observar Jökulsárlón é como observar o relógio da natureza a trabalhar. Embora muitos glaciares estejam cada vez mais recuados, o Breiðamerkurjökull está a recuar a uma velocidade mais rápida do que seria de esperar por causa dos efeitos das mudanças climáticas e o aumento da temperatura do Oceano no hemisfério norte. As águas do oceano entram no lago quando a maré enche e acabam por ir acelerando o processo.

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O aumento do lago pode explicar-se devido à rápida deslocação do glaciar para o interior da ilha, deixando desfiladeiros profundos no caminho que se enchem de água derretida e grandes pedaços de gelo.

No verão, os icebergs derretem-se e navegam pelo canal até ao mar, já no inverno, que seria de esperar que o lago gelasse, tal não acontece devido a um fenómeno natural único entre as águas geladas e o solo.

E muito embora o lago esteja a ficar cada vez mais impressionante a cada ano que passa, ele afeta o glaciar e num futuro relativamente próximo, espera-se que o lago continue a crescer até se tornar num enorme e profundo fiorde.

Jökulsárlón, o lago glacial da Islândia | Diário do Viajante
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Embora muitos dos visitantes possam pensar que o lago não tem vida, isso está muito longe da verdade. Jökulsárlón está cheio de vida marinha que vem do mar com as marés o que favorece algumas aves marinhas, particularmente as andorinhas do Ártico, que criam os seus ninhos nas proximidades para poderem capturar arenques, trutas, salmão e outros peixes.

Durante a época de verão, os moleiros, parecidos com gaivotas, têm os seus ninhos nas margens do lago e costumam ser agressivos na proteção dos seus ninhos chegando a atormentar outras aves de tamanho superior, como os gansos. Os albatrozes não têm medo dos seres humanos e também não toleram muito bem a tentativa de aproximação aos seus ninhos, por isso ficam avisados.

As focas podem ser vistas com segurança durante todo o ano, nadando entre os icebergs como eu próprio tive oportunidade de testemunhar, já que Jökulsárlón oferece-lhes refúgio seguro para descansar e socializar, principalmente porque as águas a SUDESTE da Islândia são famosas pela sua população de orcas.

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Jökulsárlón, o lago glacial da Islândia | Diário do Viajante
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Em 1985, a estreia do filme de James Bond “A View to a Kill” marcou o inicio dos passeios turísticos no lago. Guðbrandur Jóhannesson, que hoje mantém a empresa Vatnajökull Travel, foi o responsável pelos passeios nos dois primeiros anos.

No verão de 1987, cerca de 5.000 passageiros navegaram em dois pequenos navios da empresa. No ano seguinte, um veículo anfíbio juntou-se à frota e em 1995, o número de passageiros por ano havia já multiplicado e faziam já parte da frota cerca de três veículos anfíbios.

A empresa Glacier Lagoon que chega a transportar cerca de 60.000 a 70.000 passageiros por ano, oferece dois tipos de passeio. O tradicional Amphibian Boat Tour onde irá navegar por entre icebergs, ou então o Zodiac Boat Tour que terá a vantagem de se aproximar mais dos icebergs uma vez que se trata de uma embarcação mais pequena.

Os preços de adulto vão dos 45 euros euros para o passeio tradicional em veículo anfíbio e cerca de 75 euros para o passeio que o levará mais perto dos icebergs e do glaciar.

Em época alta, entre julho e agosto, há cerca de 40 viagens por dia e poderão, e deverão, realizar a reserva através do site porque os lugares esgotam com relativa rapidez.

Mesmo visitando este maravilhoso local no verão, é recomendável a utilização de um casaco de inverno impermeável e sapatos também impermeáveis. Durante o inverno, para além de frio, pode também deparar-se com bastante vento e chuva.

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Se tiverem curiosidade podem ver em tempo real o lago Jökulsárlón através de uma Live Cam no site Sky Line Web Cams.

Localização de Jökulsárlón

Coordenadas Google Maps: 64.048069, -16.180292 | abrir Google Maps
Coordenadas GPS: 64° 2’53.05″N 16°10’49.05″W

2 comentários

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2 comentários

Nuno França Photography 31 Outubro 2018 - 13:12

Que experiência incrível!

Responder
Nuno Madeira 31 Outubro 2018 - 14:14

Sem dúvida Nuno! 🙂

Responder

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