Saúde em Myanmar: vacinas e cuidados médicos
Viajar para Myanmar exige hoje ainda mais atenção à parte da saúde do que acontecia quando visitei o país em 2019.
O sistema de saúde continua bastante desigual, os cuidados médicos fora das maiores cidades podem ser limitados e a crise humanitária prolongada no país tem colocado uma pressão adicional sobre os serviços, com aumento de doenças como cólera, malária e dengue.
Por isso, faz sentido preparar esta parte da viagem com antecedência e não partir do princípio de que será fácil resolver um problema médico no terreno.
Antes de viajar, o ideal é marcar uma Consulta do Viajante para rever o teu histórico clínico, as vacinas de rotina, os riscos do itinerário e a eventual necessidade de profilaxia da malária.
Também é muito recomendável ter um seguro de viagem com cobertura médica e evacuação sanitária, porque em Myanmar o tratamento pode exigir pagamento imediato em dinheiro e, em casos mais graves, pode ser necessária transferência para um país vizinho, normalmente a Tailândia.
Precauções especiais
Febre amarela
A vacina contra a febre amarela não é recomendada para Myanmar. No entanto, o certificado pode ser exigido a viajantes com mais de 1 ano que cheguem de países com risco de transmissão, incluindo escalas ou trânsitos aeroportuários superiores a 12 horas nesses países.
Malária
O risco de malária continua a existir em várias partes de Myanmar e a necessidade de medicação preventiva depende muito das zonas visitadas e do tipo de viagem. A proteção contra picadas de mosquito continua a ser essencial, e a escolha da profilaxia deve ser feita em consulta médica antes da partida.
Raiva
A vacina da raiva pode ser aconselhada para quem vai passar tempo em zonas rurais, ter contacto com animais ou ficar longe de cuidados médicos rápidos. As autoridades de saúde norte-americanas referem que há cães com raiva em Myanmar e que a vacinação pós-exposição pode só estar disponível em unidades médicas maiores.
Tétano, difteria, pólio e outras vacinas de rotina
Antes de viajar, convém garantir que tens as vacinas de rotina em dia, incluindo tétano, difteria, pólio, sarampo, papeira e rubéola. As autoridades de saúde norte-americanas recomendam também que os viajantes elegíveis estejam atualizados em relação à vacinação contra a COVID-19.
Hepatite A e febre tifóide
A vacina contra a hepatite A é recomendada para viajantes não vacinados, e a vacina contra a febre tifóide continua a ser aconselhada para a maioria das viagens, sobretudo se fores passar por cidades menores, zonas rurais ou contextos mais locais.
Hepatite B
A vacina contra a hepatite B é recomendada para viajantes não vacinados de todas as idades que se desloquem a Myanmar.
Encefalite japonesa
Pode ser recomendada para estadias longas, viagens rurais, trekking, campismo ou roteiros em que não saibas exatamente quanto tempo vais passar em certas zonas e em que condições.
Cólera
Atualmente continuam a existir surtos ativos de cólera em Myanmar, embora a doença continue a ser rara em viajantes. Ainda assim, a vacina pode ser considerada em alguns casos, sobretudo se fores para áreas com transmissão ativa e com maior risco de exposição.
Plano de saúde
Confirma se o teu seguro de viagem cobre despesas médicas, hospitalização e evacuação sanitária.
Em Myanmar, muitos tratamentos exigem pagamento imediato em dinheiro, e em casos mais sérios pode ser necessária transferência para outro país. Fora de Yangon e Mandalay, é pouco provável encontrares cuidados de saúde ao nível do que estás habituado na Europa.
Se tens alguma condição de saúde específica, precisas de medicação regular ou há alguma situação clínica que mereça atenção especial, esta parte torna-se ainda mais importante. As autoridades britânicas recomendam verificar antes da viagem se o destino consegue realmente fornecer os cuidados de que poderás precisar.
Cuidados de saúde
Existem hospitais e clínicas nas principais cidades, mas a qualidade dos cuidados médicos é muito desigual.
O setor público de saúde está sob forte pressão, e mesmo os serviços privados podem não responder ao que esperarias noutros destinos. Em áreas como Yangon o acesso a cuidados de emergência durante a noite pode também ser mais difícil.
Também convém saber que alguns medicamentos vendidos localmente podem ser contrafeitos, e prescrições estrangeiras podem não ser aceites. Por isso, leva sempre contigo medicação suficiente para toda a viagem e, se possível, uma pequena reserva extra.
É boa ideia levares um pequeno kit para situações comuns em viagem, com medicação para dores, febre, pequenos problemas gastrointestinais, desinfeção e pensos.
Vacinas recomendadas
O comprovativo de vacinação contra a febre amarela só é exigido se vieres de um país com risco de transmissão ou tiveres feito trânsito prolongado num desses países. Fora disso, a vacina não é recomendada para Myanmar.
As vacinas mais frequentemente recomendadas para viajantes em Myanmar são: hepatite A, hepatite B, tétano/difteria, MMR (sarampo, papeira e rubéola), pólio e tifoide. Consoante o tipo de viagem, também podem ser consideradas raiva, encefalite japonesa e, em alguns casos, cólera.
Não vale a pena automedicar-te nem escolher profilaxias por conta própria. O melhor é falares com um profissional de saúde e ajustares tudo ao teu itinerário, duração da viagem, época do ano e tipo de atividades que vais fazer.

Comidas e bebidas
Toda a água deve ser encarada com cautela. O mais seguro é beber água engarrafada e selada, evitar gelo de origem duvidosa e ter atenção também à água usada para escovar os dentes, sobretudo fora de hotéis mais confiáveis.
Doenças transmitidas por água e alimentos contaminados, como hepatite A, cólera e tifoide, continuam a ser riscos reais no país.
No que toca à comida, faz sentido preferir pratos bem cozinhados, fruta que possas descascar e evitar laticínios de origem incerta. Em viagens destas, os cuidados básicos costumam fazer muita diferença.
Outros riscos
Para além da malária, Myanmar continua a ter risco de dengue, chikungunya e vírus Zika, pelo que a proteção contra mosquitos deve ser levada a sério, tanto de dia como à noite. Repelente, roupa adequada e atenção redobrada em zonas húmidas ou rurais continuam a ser fundamentais.
As autoridades britânicas alertam também para o risco de esquistossomose, uma infeção parasitária associada a água doce, por isso não é boa ideia tomar banho ou entrar em rios, lagos ou outras águas interiores sem saber se são seguras.
Em algumas partes do país pode ainda existir risco de mal de altitude, por isso, se o teu itinerário incluir zonas mais elevadas, vale a pena ter isso em conta.
Lista de verificação antes da viagem
- Marca uma Consulta do Viajante idealmente com 4 a 8 semanas de antecedência, para rever vacinas, riscos do itinerário e eventual profilaxia da malária.
- Leva os medicamentos nas embalagens originais, com nome visível e instruções de uso.
- Se tens uma condição de saúde específica, leva uma declaração médica assinada, com diagnóstico, nomes genéricos dos medicamentos e respetiva dose.
- Se tomas medicação regular, leva quantidade suficiente para toda a viagem e uma reserva extra para imprevistos.
- Faz um seguro de viagem com cobertura médica e evacuação sanitária.
- Leva um kit básico de primeiros socorros e medicação simples para situações comuns em viagem.
- Protege-te das picadas de mosquito e tem especial atenção à água e aos alimentos.
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Levar um pequeno kit de primeiros socorros pode evitar chatices desnecessárias na viagem. Se quiseres ver uma opção prática para levar contigo, podes espreitar o meu artigo Kit de Primeiros Socorros em Viagem.