Entre as terras altas, o Mar Morto e o deserto
A Jordânia reúne, num território relativamente pequeno, paisagens muito diferentes. As terras altas do norte, os vales profundos junto ao Mar Morto, as formações de arenito de Petra e Wadi Rum e a costa do Mar Vermelho permitem passar por ambientes bastante distintos ao longo de uma única viagem.
A altitude tem um papel importante nessas diferenças. Amã e Petra encontram-se em zonas elevadas, enquanto o Mar Morto fica a mais de 430 metros abaixo do nível do mar. Por esse motivo, as temperaturas podem mudar bastante entre duas paragens separadas por poucos quilómetros, algo que convém ter em conta ao preparar o percurso e a bagagem.
O tempo e o clima na Jordânia
A Jordânia encontra-se numa zona de transição entre o clima mediterrânico e o deserto. Embora grande parte do país seja árida ou semiárida, existem diferenças claras entre as terras altas ocidentais, o Vale do Jordão e as extensas regiões desérticas do interior.
Clima mediterrânico nas terras altas ocidentais
O clima de influência mediterrânica encontra-se sobretudo nas terras altas do oeste e noroeste, incluindo Ajloun, partes de Irbid, Salt, Amã, Madaba e as zonas elevadas de Kerak, Shobak e Petra.
Os invernos são frescos e relativamente húmidos, com a maior parte da chuva concentrada entre novembro e março. Nas zonas mais elevadas, as temperaturas podem aproximar-se de zero durante a noite e, ocasionalmente, pode nevar em Amã, Shobak, Petra e noutras áreas montanhosas.
Os verões são quentes, secos e quase sempre soalheiros. Em Amã, as temperaturas máximas costumam rondar ou ultrapassar ligeiramente os 30 °C, mas as noites são geralmente mais frescas do que no Vale do Jordão ou em Aqaba.
A precipitação é mais abundante nas terras altas do norte, especialmente em Ajloun e nas zonas próximas de Irbid. À medida que se avança para sul e para leste, a paisagem torna-se progressivamente mais seca.
Clima semiárido e desértico
A leste das terras altas começa uma zona de transição semiárida, que dá lugar à Badia, a extensa região desértica que ocupa grande parte do centro, leste e sul da Jordânia.
Os verões são muito quentes e secos, enquanto os invernos podem trazer dias frios, vento e grandes diferenças entre as temperaturas diurnas e noturnas. Em Wadi Rum, o calor durante o dia pode ser intenso, mas as temperaturas descem rapidamente depois do pôr do sol. Durante o inverno, as noites podem aproximar-se de zero e ocorrer geada nas zonas mais elevadas, embora valores muito abaixo de zero não sejam constantes.
A chuva é escassa e irregular. Na maior parte da Badia, a precipitação anual fica abaixo dos 200 mm, descendo para menos de 50 mm nas regiões mais áridas do sul e sudeste.
Vale do Jordão, Mar Morto, Wadi Araba e Aqaba
O Vale do Jordão forma uma longa depressão ao longo do oeste do país e prolonga-se para sul através do Mar Morto e de Wadi Araba até ao Golfo de Aqaba.
Devido à baixa altitude, esta região é bastante mais quente do que as terras altas. Os invernos são amenos e os verões muito quentes, com temperaturas que podem ultrapassar os 40 °C junto ao Mar Morto, no sul do Vale do Jordão e em Aqaba.
Wadi Araba apresenta condições especialmente áridas, enquanto a parte norte do Vale do Jordão possui terrenos agrícolas irrigados e temperaturas que permitem cultivar ao longo de grande parte do ano.
Chuva, enxurradas e vento
Apesar de a Jordânia ser um país seco, a chuva pode cair de forma intensa num curto período. Os wadis e desfiladeiros podem ser atingidos por enxurradas rápidas, mesmo quando não está a chover diretamente no local.
Este risco é particularmente importante em Petra, Wadi Mujib e noutros vales estreitos. Antes de iniciar uma caminhada, convém verificar a previsão meteorológica e confirmar se os trilhos estão abertos. Nunca se deve entrar num desfiladeiro encerrado pelas autoridades.
A Jordânia também pode ser afetada por ventos quentes e secos, por vezes acompanhados de poeiras e areia. Estes episódios são mais frequentes na primavera e podem provocar uma subida rápida das temperaturas, reduzir a visibilidade e tornar as atividades ao ar livre menos confortáveis.
A melhor época do ano para visitar a Jordânia
A melhor altura depende das regiões incluídas no percurso, porque as condições em Amã e Petra podem ser bastante diferentes das encontradas no Mar Morto ou em Aqaba.
Primavera – março a maio: é uma das melhores épocas para percorrer o país. As temperaturas são geralmente agradáveis e, nas terras altas do norte, os campos ficam mais verdes e surgem flores silvestres. Março ainda pode trazer chuva, vento e dias frios, enquanto abril e o início de maio costumam oferecer condições mais equilibradas. Mesmo assim, é importante verificar o risco de enxurradas antes de visitar desfiladeiros.
Verão – junho a agosto: o calor torna-se mais intenso em Wadi Rum, Aqaba, no Mar Morto e nas zonas mais baixas. Amã e as terras altas são geralmente mais suportáveis, sobretudo ao final do dia. Em Petra, as visitas devem começar cedo para evitar as horas de maior calor e permitir percorrer o local com mais calma.
Outono – setembro a novembro: é outra boa época para combinar visitas culturais, caminhadas e uma passagem pelo deserto. Setembro ainda pode ser bastante quente no sul, mas outubro e o início de novembro costumam apresentar temperaturas mais equilibradas. À medida que novembro avança, aumenta a possibilidade de chuva nas terras altas.
Inverno – dezembro a fevereiro: é a estação mais fria e chuvosa. Amã, Petra e as terras altas podem ter temperaturas próximas de zero, geada e neve ocasional. No Mar Morto e em Aqaba, os dias são normalmente mais amenos, embora as noites continuem frescas. Em Wadi Rum, é necessário estar preparado para uma descida acentuada da temperatura depois do pôr do sol.
De forma geral, abril, maio, outubro e o início de novembro são os períodos mais equilibrados para um itinerário que inclua Amã, Petra, Wadi Rum e o Mar Morto.
Vestuário recomendado
A escolha do vestuário deve considerar tanto a estação como as diferenças de altitude entre as regiões.
Verão: leva roupa leve, respirável e que proteja do sol. Apesar do calor, é aconselhável cobrir os ombros e os joelhos em mesquitas, espaços religiosos, zonas rurais e comunidades mais conservadoras. Chapéu, óculos de sol, protetor solar e uma garrafa de água são essenciais.
Inverno: um casaco quente é necessário em Amã, Petra e nas terras altas. Para passar a noite em Wadi Rum, acrescenta roupa térmica ou várias camadas, gorro e meias quentes. Um impermeável leve também é útil nos dias de chuva.
Primavera e outono: as camadas são a opção mais prática. As manhãs e as noites podem ser frescas, mas as temperaturas sobem rapidamente durante o dia, sobretudo no deserto e nas regiões de menor altitude.
Independentemente da época, leva calçado confortável e com boa aderência. Petra implica caminhar vários quilómetros sobre terreno irregular, enquanto alguns trilhos e wadis podem ter pedras soltas ou superfícies escorregadias.
Geografia da Jordânia
A Jordânia situa-se no Médio Oriente e faz fronteira com a Síria a norte, o Iraque a nordeste, a Arábia Saudita a leste e a sul, e Israel e a Cisjordânia a oeste. No extremo sul, possui uma estreita saída para o Mar Vermelho através do Golfo de Aqaba.
Com uma área de cerca de 89 300 km², o país pode ser dividido em três grandes zonas geográficas: o Vale do Rift, as terras altas ocidentais e a Badia ou deserto oriental.
Vale do Rift
O Vale do Rift acompanha o lado ocidental da Jordânia e inclui o Vale do Jordão, o Mar Morto e Wadi Araba, prolongando-se até ao Golfo de Aqaba.
O Mar Morto encontra-se a mais de 430 metros abaixo do nível do mar e corresponde ao ponto mais baixo da superfície terrestre exposta. Este valor não é fixo, porque o nível da água continua a descer e a linha de costa tem recuado ao longo das últimas décadas.
A parte norte do Vale do Jordão é uma das principais regiões agrícolas do país, beneficiando das temperaturas elevadas e da irrigação. Para sul, a paisagem torna-se progressivamente mais árida até chegar ao Mar Morto e a Wadi Araba.
Terras altas ocidentais
A leste do Vale do Rift ergue-se uma faixa de terras altas que atravessa o país de norte a sul. É aqui que se encontram cidades como Ajloun, Salt, Amã, Madaba, Kerak e Wadi Musa, a localidade junto a Petra.
Estas terras altas concentram grande parte da população, das áreas agrícolas e da precipitação do país. O relevo é marcado por planaltos, encostas e vales profundos, entre os quais Wadi Mujib, um dos desfiladeiros mais conhecidos da Jordânia.
As diferenças de altitude ajudam a explicar por que motivo Amã ou Petra podem ter temperaturas bastante mais baixas do que o Mar Morto, apesar de as distâncias entre estas regiões não serem muito grandes.
Badia e deserto do sul
A Badia ocupa a maior parte do centro e leste da Jordânia e prolonga-se para sul. Nem toda esta região é formada por dunas: existem planícies de cascalho, áreas de rocha vulcânica no nordeste, estepes semiáridas e extensos planaltos desérticos.
No sul, a geologia muda novamente. Wadi Rum é conhecido pelas montanhas de arenito e granito, arcos naturais, desfiladeiros e amplas planícies arenosas. É também nesta região, junto à fronteira com a Arábia Saudita, que se encontra o Jabal Umm ad Dami, o ponto mais alto da Jordânia, com 1 854 metros.
Uma paisagem marcada pela água e pela erosão
Embora a água seja escassa, teve um papel fundamental na formação da paisagem. Os cursos de água temporários escavaram vales e desfiladeiros nas terras altas, enquanto a atividade tectónica deu origem à grande depressão onde se encontram o Vale do Jordão, o Mar Morto e Wadi Araba.
Em Petra, o Siq segue uma fratura natural na rocha, enquanto as fachadas, os túmulos e outros espaços foram escavados no arenito pelos Nabateus. Em Wadi Rum, a erosão criou montanhas isoladas, arcos de pedra e passagens estreitas entre as formações rochosas.
No norte, as zonas de Ajloun e Jerash apresentam olivais, terrenos agrícolas e algumas das principais áreas florestais do país. No extremo sul, Aqaba acrescenta uma curta faixa costeira, com praias e recifes de coral no Golfo de Aqaba.
Esta diversidade geográfica faz com que a meteorologia de uma única cidade não seja suficiente para preparar toda a viagem. Antes de partir para cada etapa, é preferível consultar as previsões específicas para Amã, Petra, Wadi Rum, Mar Morto e Aqaba.