Visita ao Museu Benfica Cosme Damião

por Nuno Madeira
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O Museu Benfica Cosme Damião é um museu dedicado à história do Sport Lisboa e Benfica, e está situado no complexo do Estádio da Luz, em Lisboa.

O museu, de nome em memória de Cosme Damião (fundador, jogador, técnico e dirigente do Sport Lisboa e Benfica), foi inaugurado em 26 de Julho de 2013 sob a presidência de Luís Filipe Vieira, e aberto ao público três dias depois, a 29 de Julho.

O edifício conta com uma área de 4.000 m² e três pisos acompanhados por uma enorme vitrina que exibe cerca de 500 troféus.

O museu, dividido em 29 áreas temáticas, contém, no total, cerca de 1.000 troféus conquistados pelas diferentes modalidades do clube, e uma coleção superior a 30.000 taças (de todo o tipo), bem como documentos e audiovisuais referentes à história do Benfica, inseridos no contexto sociocultural de Portugal.

  1. Ontem e hoje
  2. Joias do ecletismo – Troféus internacionais e heróis das modalidades
  3. Orgulho eclético – Títulos oficiais das modalidades
  4. Momentos únicos – Feitos do ecletismo
  5. A “Taça” – O Campeonato de Portugal / Taça de Portugal
  6. Campeões Sempre – O Campeonato Nacional
  7. Formar a Ganhar – O futebol de formação
  8. Outras conquistas – Torneios e outros eventos
  9. Honrar a cidade – O Campeonato de Lisboa e a Taça de Honra de Lisboa
  10. Tributo ao “Mestre” – A Supertaça “Cândido de Oliveira”
  11. Semear tradição – A Taça da Liga
  12. Honrar o País – Conquistas internacionais
  13. Viagem ao coração benfiquista [ vídeo ]
  14. Lisboa e Benfica
  15. No caminho do tempo
  16. Outros voos – Associativismo e cultura
  17. Chão sagrado – Território e património
  18. “E Pluribus Unum” – Cosme Damião
  19. Águias-Mundi – Futebolistas estrangeiros
  20. Águias-Mores – Capitães, goleadores, internacionais
  21. O meu onze – A equipa de sempre
  22. De águia ao peito – Álbum de jogadores
  23. Inesquecíveis – As estrelas de futebol benfiquista
  24. O “Pantera Negra” e outras lendas – Eusébio
  25. Mestres da bola – Os treinadores
  26. Benfica universal – Digressões e popularidade
  27. Honras maiores – Distinções honoríficas
  28. Homens do leme – Os presidentes
  29. O voo da Águia – Um século em 1000 segundos [ vídeo ]

Área de lazer (Piso 2): Espaço de leitura, espaço infantil, simulador de penáltis e o cantinho das águias.

Visita ao Museu Benfica Cosme Damião | Diário do Viajante

Quando digo que o Museu Benfica foi um dos museus mais completos e entusiasmantes que já visitei, não estou nem a mentir, nem a exagerar.

Já fiz duas visitas ao museu e há sempre algo que fica por ver, por conhecer, por descobrir.

São milhares de troféus, centenas de fotografias e dezenas de camisolas espalhadas por três pisos num ambiente acolhedor que nos leva a viajar ao ano de 1904, ano da fundação do Sport Lisboa e Benfica, que começou a jogar futebol logo no primeiro dia, a 28 de Fevereiro, e a partir daí foi abraçando gradualmente a prática de outros desportos.

No Piso 0 podem começar por ver testemunhos dos primeiros anos de vida do Clube. Desde as chuteiras e bolas de futebol usadas na altura, a documentos que demonstram parte das dificuldades do Clube no seu inicio de vida.

Também aqui, em contraponto com os primeiros tempos, é mostrada a atualidade do Clube com os troféus da última temporada. Aqueles que nos fizeram gritar e sofrer num passado mais recente.

O atletismo, o hóquei em patins, basquetebol, futsal, entre outras, também aqui mostram a sua fama ao mais alto nível com a exposição dos símbolos das 19 conquistas internacionais das modalidades que enriqueceram a história do Clube e do desporto nacional nas diferentes modalidades.

Os troféus conquistados pelos escalões de formação do Sport Lisboa e Benfica, os troféus conquistados em torneios e eventos particulares, os troféus dos extinguidos Campeonatos de Lisboa e Taça de Honra de Lisboa, ou até mesmo as Supertaças Cândido de Oliveira disputadas desde 1979, não conseguem fazer desviar o olhar do expositor que atravessa os três pisos do museu.

São mais de 500 troféus, símbolos das principais conquistas nacionais das outras modalidades praticadas no Clube, para além do futebol.

Clubismos à parte, é sem dúvida algo que impressiona qualquer um.

Esta obra demonstra a posição e destaque, quer a nível nacional, quer a nível internacional, que o Clube foi ganhando ao construir uma casa que jamais parou de crescer. Uma casa de que se orgulham os benfiquistas e o desporto português.

Visita ao Museu Benfica Cosme Damião | Diário do Viajante

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A ocupar uns bons metros numa das áreas deste piso está uma mesa interativa onde poderá descobrir alguns dos melhores momentos que marcaram a vida benfiquista.

Com vídeos entre 1912 e 2013, estão disponibilizados 96 conteúdos, de 24 modalidades, homenageando momentos únicos e os seus protagonistas. Aquele último cesto que deu mais um título ao basquetebol, aquela jogada inacreditável de um jogador de hóquei e o seu golo fantástico, entre muitos outros momentos.

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Também neste piso é possível ver a coleção de 28 troféus conquistados naquela que é considerada a prova rainha do futebol português, 3 do Campeonato de Portugal e 25 Taças de Portugal.

Mesmo ao lado, os troféus conquistados no Campeonato Nacional. Depois de alcançar o primeiro título no Campeonato na época 1935/1936, não mais parou na soma destes títulos e é atualmente o Clube com mais troféus conquistados.

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Infelizmente ainda não tive a felicidade de ver o Sport Lisboa e Benfica ganhar a Taça dos Clubes Campeões Europeus, mas lembro-me perfeitamente da final de 1989/1990 onde perdeu contra o AC Milan, por 0-1. Engraçado como um criança com pouco mais de 10 anos já “sofria” e vivia com intensidade este desporto.

Mas para compensar, temos expostas as 2 Taças correspondentes às épocas 1961 e 1962, que projetou o nome do Sport Lisboa e Benfica, e de Portugal, pela Europa fora.

Em 1961, a vitória de 3-2 foi conseguida frente ao FC Barcelona com golos de Águas, Antoni Ramallets (autogolo) e Coluna. Em 1962, a vitória foi mais expressiva, por 5-3, frente ao Real Madrid CF com golos de Águas, Cavém, Coluna e dois golos de Eusébio.

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Antes de passar ao próximo piso, ainda poderá assistir à primeira experiência audiovisual disponível no museu.

Este primeiro vídeo leva-o numa viagem ao coração do adepto Benfiquista recorrendo a uma plataforma elevatória e uma instalação de videowall de 360°.

A plataforma vai subindo ao mesmo tempo que a intensidade das imagens e sons que vão passando no videowall aumentam. É uma experiência audiovisual interessante que transmite um pouco das emoções vividas pelos benfiquistas.

No corredor que o leva ao piso superior, vai reviver alguns momentos marcantes em Portugal, e no Mundo, ao mesmo tempo que o Clube ia fazendo história. Que Lisboa havia em 1910 quando o Clube festejou o primeiro título regional de futebol? Ou até mesmo acontecimentos como as Grandes Guerras, a primeira viagem à Lua em 1969 ou no ano da Revolução de 25 de Abril de 1974.

É uma viagem no tempo, por Portugal e pelo Mundo, desde o nascimento do Clube até aos dias de hoje.

Agora no Piso 1 do museu, temos a possibilidade de explorar várias temáticas da relação do Clube com o universo cultural, com vários compartimentos e expositores para explorar, desde arte à literatura, da tauromaquia ao cinema, da música à filatelia.

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Também aqui podemos conhecer a transformação pela qual o Clube passou, ao longo da sua história, com os diversos locais onde teve as suas sedes e outros espaços de serviços e recreação, durante meio século. Depois de Belém, onde o Clube nasceu e disputou os primeiros jogos, passou por Benfica, Baixa, Sete Rios, Amoreiras, Campo Grande, voltando depois novamente a Benfica.

Outras áreas de destaque neste piso são os espaços reservados a Cosme Damião e a Eusébio.

Cosme Damião, que também dá o nome ao museu, foi jogador, capitão, treinador e dirigente do Sport Lisboa e Benfica. Foi a alma do clube que nasceu pobre e cresceu à custa do sacrifício de muitos homens para quem o sonho comandava a vida.

Já no espaço reservado ao “Pantera Negra”, podemos assistir a um holograma do “Rei Eusébio” e o impacto que teve no futebol do seu tempo. Mágico, mítico e sensacional. Um atleta lembrado pelos Benfiquistas mas também pelo povo português que o viu com a camisola das quinas. Este espaço levanta o véu da memória do Eusébio da Silva Ferreira, e de outras lendas que marcaram a história do Clube.

Não menos importantes que os atletas que já passaram pelo Clube, os treinadores e os presidentes também deixaram de algum modo a sua marca, e também eles têm áreas reservadas no museu.

Alguns dos treinadores que passaram pelo Clube cumpriram mesmo a sina que ficou celebre nas palavras de Mário Wilson que disse “Um treinador no Benfica arrisca-se a ser Campeão”.

Desde o próprio Cosme Damião, como o Béla Guttmann que dizem ter lançado uma “praga” ao Benfica nas competições europeias, passando por Jimmy Hagan, Sven-Göran Eriksson ou aqueles anos 90, numa fase negra do Clube, em que o teve duas mãos cheias de treinadores onde também está incluído José Mourinho.

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Antes de terminar a volta neste piso, voltamos novamente aos atletas que já passaram pelo Clube.

Para além de poder ver através de uma enciclopédia digital todos os futebolistas que já representaram o Clube, com os jogos realizados, golos que marcaram, dos mais celebres aos mais desconhecidos, podem ainda criar a sua equipa ideal, dentro deste leque de jogadores que serviram o Clube.

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Eu deixei a minha convocatória com a minha dose de treinador que existe dentro de mim. Há sempre jogadores preferidos, por uma razão ou por outra, e é sem duvida um desafio com tantos bons jogadores que já passaram pelo plantel principal.

Quem consegue imaginar como seria ter Eusébio, Rui Costa, Simão Sabrosa, Luisão, Mozer e Michel Preud’homme na mesma equipa? Sim, estas são algumas das minhas preferências, não há como esconder.

Mas infelizmente nem toda a história é feita de alegria e momentos bons.

Quem não se recorda daquela fatídica noite de 25 de Janeiro de 2004 quando o Sport Lisboa e Benfica deslocou-se a Guimarães para mais um jogo do Campeonato de Futebol?

O jogo estava a ser transmitido na televisão e o Benfica ganhava por 1-0 e com pouco tempo mais para jogar.

Miklós Fehér recebia cartão amarelo por impedir um lançamento lateral de um jogador do Guimarães, tendo em seguida sentido mal, acabando por cair inanimado no campo. Os colegas aperceberam-se de imediato da situação grave e ainda hoje recordo a cara de pânico de alguns deles ao chamarem os médicos para que pudessem dar assistência.

Cada segundo em paragem cardíaca parecia uma eternidade. Submetido a manobras de reanimação de imediato, já dava para perceber a gravidade da situação.

Foram vários os minutos em que o jogador recebeu assistência no relvado sendo depois levado para o hospital. Ainda não era meia-noite e a morte de Fehér era confirmada. Tinha 24 anos.

O jogo acabou ali e os dias seguintes foram de intensos com milhares de adeptos do Benfica, e não só, a prestarem homenagem ao jogador que ainda tinha uma vida pela frente. Foram milhares que fizeram fila à porta do Estádio da Luz para dizer um último adeus a Fehér.

O Clube fez um memorial ao jogador, que se encontra na zona interior da Porta 18 do estádio, e retirou o número 29, usado por Miklós Fehér no momento da sua morte, para que mais ninguém o possa usar no futuro.

A sua última camisola encontra-se também no museu e faz parte daquelas memórias que preferíamos não ter.

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Passando ao último piso do museu, o Piso 2, temos oportunidade de assistir a um outro vídeo num anfiteatro inserido no interior da cúpula que é vista do lado de fora, com capacidade para 86 pessoas.

Aqui podem assistir ao filme “O voo da águia, um século em 1000 segundos” (com aproximadamente 16 minutos de duração) com mais de 100 anos da história do Sport Lisboa e Benfica.

É um vídeo que nos leva ao passado, atravessa o presente, e transporta-nos também em direção ao futuro. Foi sem dúvida um dos momentos altos da visita ao museu, e confesso que senti arrepios ao ver tal dança de sons e imagens juntamente com um turbilhão de emoções difíceis de explicar.

Com a visita mesmo a terminar, vão cruzar ainda uma área de lazer com um espaço infantil, um simulador de penáltis para crianças e adultos, e o cantinho das águias, criado em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, que recria o habitat natural das águias, e é a casa dos símbolos vivos do Clube.

A visita ao Museu Benfica Cosme Damião pode ser realizada em conjunto com a visita ao Estádio da Luz, o que fará com que os bilhetes de acesso sofram uma redução no preço.

Visita ao Museu Benfica Cosme Damião | Diário do Viajante

Horários do Museu

  • Todos os dias, das 10h às 18h.
  • Em dias de jogo (exceto competições europeias), aberto até ao início da partida.
  • Encerra a 1 de janeiro, 25 de dezembro e em dias de jogo de competições europeias no Estádio.

Tabelas de Preços

PREÇO PÚBLICOESTÁDIOMUSEUESTÁDIO + MUSEU
Adulto (14 – 64 anos, inclusive)12,5 €10 €17,5 €
Criança (3 – 13 anos, inclusive)5 €4 €7 €
Família*25 €20 €38 €
Sénior (mais de 65 anos)7,5 €6 €11,5 €
PREÇO SÓCIOESTÁDIOMUSEUESTÁDIO + MUSEU
Com REDPASS0 €0 €0 €
Sem REDPASS0 €5 €5 €
Menor pagante0 €0 €0 €
Menor isento0 €2,5 €2,5 €
Família* (com adulto sócio)17 €15 €27 €

Contactos

MUSEU BENFICA – COSME DAMIÃO
Estádio do Sport Lisboa e Benfica
Av. Eusébio da Silva Ferreira
1500-313 Lisboa

Telf.:21 721 95 90
http://museubenfica.slbenfica.pt
[email protected]

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