Castelo de Mourão, avistando o Alqueva

por Nuno Madeira
Castelo de Mourão, avistando o Alqueva | Diário do Viajante

O Castelo de Mourão ocupa uma posição dominante sobre a antiga vila medieval de Mourão, onde também está situada a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Candeias.

Mourão, vila Alentejana situada na margem esquerda do rio Guadiana, muito próxima da fronteira com Espanha, está numa região de grande beleza natural com vista privilegiada para o Alqueva, e a minha visita coincidiu com o fim de semana que passei nesta zona de Portugal que faltava descobrir.

Sobre a construção do Castelo de Mourão, existem várias informações mas talvez por não existirem certezas que atestem a ocupação da vila até à reconquista cristã da Península Ibérica.

Existem informações que referem que foi construído no inicio de 1343, no reinado de D. Afonso IV, mas também há quem considere que foi construído no reinado de D. Sancho II, por volta de 1226. Fica a dúvida.

No entanto, sabe-se que após passar para o domínio português, este foi entregue à Ordem dos Hospitalários.

Composto por alvenaria em xisto da região, mármore e granito, tem uma planta em forma de retângulo, não perfeito, com várias torres a reforçar a muralha, e com duas portas, a de Menagem (sul) e a Torre dos Pretos (norte).

O Castelo também foi atingido pelos efeitos do terramoto de 1755 já para não falar da reconstrução de que foi alvo, por volta de 1661, devido às sucessivas guerras que ali foram travadas.

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Depois de entrarmos na fortificação, umas escadas à direita convidam à descoberta.

É possível circular em todo o perímetro da muralha do Castelo, à exceção da zona onde a Igreja Matriz a interrompe.

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A Norte e a Oeste, o Alqueva. Embora com a vegetação mais em tons de amarelo, provavelmente por ter visitado o local no Verão, faz com que o contraste de cores seja intenso. O amarelo contrasta com o verde das poucas árvores existentes e o vasto azul do grande lago.

Os tons acastanhados da muralha, em ruínas, parecem transportar-nos numa viagem ao passado, onde história foi escrita.

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Na zona Norte da fortificação, é necessário ter algum cuidado porque é onde a altura para o chão é mais significativa, não existindo qualquer proteção já que parte do resguardo da muralha não existe, e é relativamente fácil dar azo a acidentes.

A grande maioria das torres encontra-se também em ruínas mas há pelo menos uma com acesso ao topo para terem uma perceção ainda maior sobre a dimensão do Castelo, e da vista em todo o seu redor. A torre de que falo é a que fica mais a Oeste.

Pelo caminho vão encontrar vestígios da Casa da Guarda e dos antigos Paços do Concelho. Infelizmente em péssimo estado de conservação e, a meu ver, com demasiado entulho e vegetação que cresceu sem controlo.

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Antes de visitar este lugar não contava com a dimensão nem com a vista que se perde sobre o Alqueva. Foi uma boa surpresa à exceção de algumas partes que parecem ter sido deixadas ao abandono.

O Castelo de Mourão encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público por Decreto publicado em 18 de Julho de 1957.

Horários (entrada gratuita)
Inverno: das 9h00 às 17h00
(último domingo de Outubro ao último sábado de Março)
Verão: das 9h00 às 19h00
(último domingo de Março ao último sábado de Outubro)

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Igreja de Nossa Senhora das Candeias

Com acesso pelo exterior da muralha, à esquerda da entrada para o Castelo, podemos encontrar a Igreja de Nossa Senhora das Candeias (igreja matriz), que começou a ser construída em 1681 mas, segundo registos paroquiais, apenas ficou concluída em 1692.

O edifício está enquadrado e integrado entre as antigas torres góticas do Castelo e a obra foi financiada pelo Príncipe D. Pedro, futuro rei, que nomeou o Engenheiro D. Diogo Pardo Osório para o projeto da sua construção.

No entanto, a devoção local é antiga e remonta ao aparecimento de uma imagem da Virgem nas redondezas, dando origem ao Culto a Nossa Senhora do Tojal ou das Candeias. Esta primeira igreja matriz, do tempo da fundação medieval do Castelo, foi danificada pelas Guerras da Restauração e completamente arrasada em 1664 com a reconstrução da fortificação.

Sem acesso ao interior, por se encontrar fechada, este é de nave única, alto e amplo, com xisto nos arcos laterais interiores que envolvem, à direita a Capela-mor, os altares de S. Pedro, do Santíssimo Sacramento e de S. João Batista.

À esquerda, a seguir ao batistério, haverá outros dois altares com imagens de Nossa Senhora do Alcance e Nossa Senhora de Fátima.

No interior ainda será possível ver uma grande pintura, refeita após o terramoto de 1755, representando a Alegoria de Nossa Senhora das Candeias, num cenário de elementos arquitetónicos clássicos destacando a Virgem.

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Localização do Castelo de Mourão

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