Askja, e a caldeira vulcânica Víti

por Nuno Madeira
Islândia: Askja, e a caldeira vulcânica Víti | Diário do Viajante

Askja é uma caldeira vulcânica com cerca de 50km2 nas montanhas Dyngjufjoll, na Islândia, e encontra-se a 32 km a norte de Vatnajökull, fazendo assim também parte do Parque Nacional de Vatnajökull.

A caldeira externa de Askja representa uma erupção pré-histórica e deve ser, sem dúvida, um dos lugares mais desolados com absolutamente nada na paisagem para além de rochas de lava.

Este é um local muito popular, mesmo sendo necessário percorrer quase 100 km de estrada com diversos desafios pelo caminho, dependendo claro das condições climáticas do momento. É importante também relembrar que estas estradas normalmente só estão abertas cerca de 3 ou 4 meses durante o ano, normalmente de junho até ao início de outubro.

As instalações de apoio mais próximas ficam em Dreki, a cerca de 8 km do parque de estacionamento de Askja e, se não passarem por elas, provavelmente estarão perdidos.

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Askja era praticamente desconhecida até à enorme erupção que começou a 29 de março de 1875. A queda de cinza foi de tanta densidade que acabou por envenenar a terra e matar o gado na zona oriental da ilha.

Fragmentos de rocha sólida foram expelidos para o ar e a cinza dessa erupção foi levada pelo vento para países a várias centenas de quilómetros de distância como a Noruega e Suécia.

Esta erupção provocou ainda uma enorme corrente de emigração da Islândia.

No entanto, a maior e menos conhecida erupção ocorreu no Holoceno, cerca de 11.000 atrás. Os fragmentos de rocha expelidos nessa erupção foram encontrados no sudoeste da Suécia, Irlanda do Norte e no norte da Noruega.

A última atividade desta caldeira vulcânica de Askja ocorreu já em 1961.

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Mas ao contrário de muitos outros locais, este não tem o parque de estacionamento mesmo ao lado do que fomos ali ver. É necessário fazer uma pequena caminhada de cerca de 2,5 km até à caldeira Askja.

A caminhada é realizada em piso plano mas, composto por neve e lama, pelo que um calçado impermeável é altamente recomendado, porque não há como contornar.

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Enquanto caminhamos conseguimos perceber, para além do silêncio que ecoa naquela vastidão, a natureza no seu estado puro. São imagens inesquecíveis, tal como a que senti quando me aproximei pela primeira vez de Víti.

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Depois dos 2,5 km de caminhada chegamos a Öskjuvatn, o enorme lago que preenche grande parte da caldeira menor resultante da erupção de 1875. Encontra-se 50 metros abaixo do nível do mar, cobre cerca de 12 km2 e é o segundo lago mais profundo da Islândia atingindo cerca de 220 metros de profundidade.

O Lago Öskjuvatn quando se formou estava com uma temperatura bastante superior, mas nos dias de hoje está congelado grande parte do ano.

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Mesmo ao lado, inconfundível pela sua cor leitosa, encontramos Víti, que significa “Inferno”. É uma das maravilhas naturais que mais me impressionou na viagem de 11 dias pela Islândia.

É uma cratera na margem nordeste do Lago Öskjuvatn e tem cerca de 150 metros de diâmetro. Eu dei a volta a toda a cratera para ter a certeza que não perdia nenhum ângulo daquela preciosidade.

O lago geotérmico no seu interior está a uma temperatura a rondar os 30° C e é rico em minerais.

Embora o nome possa não ser particularmente convidativo, são muitos os visitantes que não deixam de dar um mergulho e eu assisti a isso mesmo. Um grupo de pessoas já com uma certa idade que nem fizeram caso de não terem roupa apropriada, entenda-se fato de banho, e foram ao banho tal como vieram ao mundo.

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A descida até ao lago não é muito difícil, mas convém ter sempre atenção porque pode ficar bastante escorregadia em tempo húmido.

Pelo caminho poderão ver fumo a sair de fissuras no chão como se tivessem chegado a outro planeta.

Infelizmente não consegui ir a banhos porque o cheiro a enxofre, embora não muito intenso, era suficiente para me tirar a vontade. Mas se isso não vos incomoda, não percam a oportunidade de o fazer. Contudo, pude apreciar o silêncio sobrenatural da paisagem.

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Algumas notas importantes sobre a viagem até Askja

Existem várias estradas que poderão apanhar até muito perto de Dreki, mas se estão a descer do norte provavelmente vão apanhar a F88. No entanto, não esquecer que qualquer uma delas é estrada de montanha proibida de circular para a grande maioria das companhias de aluguer.

Ao atravessar rios, que é uma grande probabilidade de acontecer, certifiquem-se que engrenam a tração nas quatro rodas antes de entrar no rio e optem por atravessá-lo a uma velocidade reduzida, sem parar e sem trocar de mudança a meio.

Os rios glaciares normalmente têm menos água durante as manhãs e durante os dias quentes de verão poderão aumentar o seu fluxo substancialmente, tal como em dias de muita precipitação, que poderão inclusive impossibilitar a sua passagem.

Em muitos casos são percetíveis os melhores locais para atravessar, que deverão ser diagonalmente no rio, mas caso não consigam detetar, evitem ao máximo as partes do rio com águas mais calmas, porque normalmente são locais mais fundos do rio.

Se possível, façam este percurso com dois ou mais carros e não se esqueçam de verificar as condições da estrada no site da entidade oficial The Icelandic Road and Coastal Administration.

É importante ainda avisar que é expressamente proibido andar fora de estrada e que será recomendável ter um mapa detalhado em papel já que os GPS poderão não detetar as estradas de terra. Quando estive na Islândia a TomTom nem mapa da Islândia tinha.

Por fim, e na esperança de não ter que ser usado, o número de emergência na Islândia é o mesmo que em Portugal, ou seja, o 112. E não será de todo descabido informar alguém dos seus planos de viagem, como por exemplo no site SafeTravel.

Localização de Víti, Askja

Coordenadas Google Maps: 65.046933, -16.725622 | abrir Google Maps
Coordenadas GPS: 65° 2’48.96″N 16°43’32.24″W

2 comentários

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TechPrevue 21 Novembro 2018 - 22:30

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Nuno Madeira 22 Novembro 2018 - 10:19

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