Tunes, a capital

por Nuno Madeira
Tunísia: Tunes | Diário do Viajante

Tunes, capital da Tunísia, tem um centro compacto e fácil de explorar a pé, com muitas lojas e mercados. Talvez o ponto mais conhecido e visitado por turistas seja o Museu do Bardo que contém a maior colecção do mundo de mosaicos romanos. Ao longo da avenida Habib Bourguiba poderá encontrar cafés e restaurantes ao estilo continental.

A história de Tunes remonta aos primeiros anos de Cartago e começa a surgir em mapas romanos durante a I Guerra Púnica. Foi destruída mais tarde em 146 a.C. tendo sido reconstruída pelos Romanos que permaneceram no local. No entanto, Tunes só começou a ter importância com a chegada dos primeiros Árabes no século VII. Hassan ibn Numan achou que a cidade tinha uma boa posição defensiva e decidiu desenvolver o local erguendo a Medina numa margem de terreno elevado ao lado do lago salgado. A Grande Mesquita, que foi a construção mais significativa no local, deu-se em 732 d.C.

Desde então Tunes tornou-se num dos principais centros científicos, culturais e religiosos do Norte de África. Tornou-se metrópole árabe na dinastia Háfcida (1228-1574) com o comércio a florescer entre a Europa e África, e no século XIII os Háfcidas fizeram da cidade a sua capital. Fortificações foram então erguidas pelos Turcos Otomanos (1580-1705) bem como inúmeras mesquitas e palácios.

Por volta do século XIX a população torna-se demasiado numerosa para permanecerem dentro das muralhas da cidade tendo os franceses drenado parte dos terrenos pantanosos envolventes para poderem expandir a cidade. Ficou notória a arquitectura europeia nesta nova parte da cidade com avenidas largas coexistindo assim dois mundos onde de um lado o distrito está quase inalterado desde os tempos medievais, e do outro, uma metrópole moderna ao estilo continental.

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A parte ocidental de Tunes é ocupada pela Medina cheia de antigos palácios, mesquitas e souks. A oriental onde está situada a Ville Nouvelle, encontra o Teatro Nacional, casas Art Déco, cinemas, uma estação de comboios, cafés e bares movimentados.

A antiga Medina de Tunes com mais de mil anos de vida está classificada pela UNESCO como Património Mundial e é constituída por ruelas estreitas, mesquitas, mercados orientais e pátios com entradas misteriosas e coloridas que dão acesso a antigos palácios e casas abastadas.

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Bab el-Bahr

A Bab el-Bahr assinala a fronteira simbólica entre o velho e o novo quarteirão de Tunes e a Ville Nouvelle, construída pelos franceses durante a era colonial. Este arco que se ergue na Place de la Victorie foi em tempos a entrada oriental da muralha que cercava a Medina.

Bab el-Bahr significa “Porta do Mar” em árabe, e deve o seu nome à proximidade com o mar. No século XIX, as águas ao lado de Tunes quase batiam contra as paredes da Medina, mas hoje as margens estão a cerca de 1,5 km de distância uma vez que os franceses drenaram grande parte do terreno para que a cidade pudesse expandir-se.

À medida que a Ville Nouvelle prosperava, a Bab el-Bahr tornava-se o elo de ligação entre os dois mundos e um símbolo de progresso e da nova era. Aquando da permanência dos franceses em Tunes, estes deram o nome de Porta Francesa, mas após a Tunísia reconquistar a independência o nome voltou ao original.

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Museu do Bardo

Situado nas imediações de Tunes, o Museu do Bardo está agora no que era um antigo palácio pertencente aos Beis Hussainidas.

Este museu tem uma coleção enorme de mosaicos romanos que datam dos séculos II-IV d.C. e que adornaram as casas dos cidadãos mais abastados da África Romana. Para além de mosaicos inestimáveis, existem ainda inúmeros artigos de outros períodos como azulejos, mascaradas funerárias púnicas, estátuas de bronze gregas e azulejos islâmicos.

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O Grande Souk

O souk é um lugar onde as pessoas se deslocam para fazer compras, negociar e para encontrarem amigos. Segundo a tradição muçulmana, o comercio é a mais doce das ocupações. O erudito medieval árabe Algazel considerava o comércio como uma preparação para as recompensas do mundo seguinte.

A Medina de Tunes tem mais de vinte souks. Os maiores ficam contíguos à Grande Mesquita formando um enorme mercado colorido e animado. Dois termos com o significado “mercado” competem entre si no mundo muçulmano: bazar (persa) e souk (árabe).

Durante séculos os souks tiveram carácter distintivo e coeso, baseado nas tradições das nações orientais e mediterrâneas, com locais claramente identificados para os vários bens. Desde o inicio este foi um local onde se trocavam bens e se levavam a cabo transacções financeiras, sendo também o centro da vida social.

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Localização

Coordenadas Google Maps: 36.799105,10.175491
(Bab el Bahr, também conhecido por “Port de France”, “Sea Gate” ou “Sea Door”)

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