Chott El Jerid, o lago salgado

por Nuno Madeira
Tunísia: Chott El Jerid | Diário do Viajante

Douz. 4h da manha e o telefone toca. Do outro lado alguém pronunciando palavras estranhas, que mesmo meio a dormir, calculei que fossem Árabes. A noite ainda era uma criança mas era hora de retomar a viagem. Com apenas algumas horas de sono e algum cansaço já acumulado, estava quase na hora de assistir a um momento único. O nascer do sol no lago salgado.

Chott el Jerid é um dos muitos lagos salgados da Tunísia e foi criado por movimentos tectónicos da crosta terrestre há 1,5 milhões de anos, e segundo a lenda, foi lá que nasceu a deusa grega Atena. É também o maior lago africano com aproximadamente 51.280 km² e fica entre o golfo de Gabès e a fronteira argelina.

Devido à área inundada ser muito variável, os valores apresentados para a área do lago (ou da respectiva bacia) pode variar muito conforme o autor, chegando alguns ao ponto de apresentar o valor de 10 000 km² para área máxima. Algo semelhante se passa com a altitude, cujos valores variam entre os +10 e -25 metros abaixo do nível do mar.

O lago Chott el Jerid pode ser atravessado durante todo o ano, numa passagem de aproximadamente 64 km ligando Bechri, perto de Kebili, a Dguache perto de Tozeur.

Ao chegar ao local, ainda noite, já várias pessoas aguardavam ansiosamente por aquele momento. O Chott el Jerid, praticamente seco, tinha apenas alguns restos de água que parece ter sido ali colocada de propósito apenas “para turista ver”. O chão, de cor maioritariamente branca, devido ao sal, contrastava com água de cor vermelha.

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Segundo pude apurar, neste tipo de lagos, e durante a estação seca, os níveis de salinidade aumentam até ao ponto em que os microrganismos adaptados a ambientes salinos começam a desenvolver-se. Entre eles estão algumas cianobactérias, cujo pigmento vermelho dá origem aos tons de vermelho apresentado pelas águas mais profundas do lago.

Tunísia: Chott El Jerid | Diário do Viajante
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Uns metros mais ao lado, vários montes formados por mão humana, envergavam bandeiras de várias nacionalidades, sendo que o monte mais alto tinha no topo a bandeira Tunisina. A de Portugal também lá estava, embora num aglomerado de pedras bem mais pequeno mas com tanta ou mais importância que qualquer outra bandeira no local.

Uma luz ténue começou a tomar conta do horizonte do Chott el Jerid, estava a chegar a hora. Não foi o primeiro nascer do sol que observei mas foi sem duvida único, como é cada nascer do sol. Uma enorme planície deserta com algumas montanhas na linha do horizonte preenchiam aquele cenário em que durante vários minutos foi palco de uma beleza natural que as palavras não conseguem descrever.

Os tons laranja invadiram o céu limpo e começaram a reflectir no lago seco. Embora não tenha assistido a nenhum fenómeno estranho, há quem diga que no nascer e no pôr do sol é normal assistir-se a miragens devido a vários factores climatéricos.

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Foi sem dúvida um dos pontos altos desta viagem pelo sul da Tunísia e valeu o esforço de acordar de madrugada. Existem várias excursões que se realizam durante o dia mas não acredito que tenham tanto impacto como esta.

Tunísia: Chott El Jerid | Diário do Viajante
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A rosa-do-deserto, símbolo do Sara

Esta é talvez a recordação mais conhecida e mais barata, de uma visita ao sul da Tunísia. Por vezes são artificialmente coloridas, em tons de verde, azul e vermelho, residindo a sua beleza na cor natural – cinzenta, quase castanha. Encontra-se geralmente vários metros sob a areia e em termo químicos, é constituída por gipso, que se compõe de cristais de sulfato de cálcio e de agua de cristalização, assumindo a forma de uma rosa aberta.

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Localização

Coordenadas Google Maps: 33.718397,8.317894

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